Teria Dom Pedro II distúrbios do sono?

A síndrome de apnéia do sono tipo obstrutivo (Saso) seria a causa mais provável da sonolência diurna excessiva do imperador Dom Pedro II (1825-1891). A conclusão é de um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),  publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria. Os estudiosos chegaram a tais conclusões, após realizarem um amplo levantamento bibliográfico em textos, fotos e outros documentos históricos, incluindo diários, cartas e reportagens de jornais e revistas da época.

De acordo com os pesquisadores, D. Pedro II era bastante obeso e naquela época não havia muita preocupação em controlar a obesidade. A pesquisa aponta que o imperador dormia durante o dia em inúmeras situações, como no teatro e em palestras, o que teria ocorrido com grande freqüência e durante muitos anos.

Naquela época não se conheciam as doenças que levam à sonolência diurna excessiva, uma vez que o conhecimento desse tipo de distúrbio ocorreu na segunda metade do século 20 com o avanço da tecnologia. Havia, portanto, uma causa orgânica para a sonolência excessiva do imperador. Esse achado contraria a versão mais usada na época pelos opositores de D. Pedro II que diziam, e publicavam em inúmeras charges, que ele dormia demais por não se importar com o Brasil.

No mundo de hoje…

Sonolência, cansaço, falta de energia durante o dia e nervos à flor da pele. Essas são algumas das conseqüências causadas por noites mal dormidas, uma realidade que afeta muitos brasileiros, por uma razão ou por outra. A Sociedade Brasileira do Sono avaliou cerca de 43 mil pessoas das principais capitais do país e revelou que mais da metade da população (53,9%) não tem um sono restaurador. E 43% apresenta sinais de cansaço no decorrer do dia. O Instituto do Sono, instituição ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), realizou um levantamento epidemiológico semelhante, denominado Episonos, em 2007, com 1.056 pessoas entre 20 e 80 anos na capital paulista e descobriu que 39,9% da população sofre de insônia e 32,9% tem apnéia.

A insônia e a apnéia são os principais distúrbios que tiram literalmente o sono dos brasileiros. “A primeira é caracterizada como um sintoma e não uma doença, já que pode estar relacionada a outros fatores, na maioria dos casos psicológicos. A sonolência excessiva diurna também pode ser um indício da própria apnéia”, observa o Prof. Tomomi Harashima, coordenador do Centro de Apnéia Obstrutiva do Sono do CETAO.

A apnéia ocorre quando, no meio da noite, acontecem engasgos e paradas respiratórias, que levam à queda de oxigênio no sangue, fazendo com que o indivíduo acorde diversas vezes. Como conseqüência dessas paradas respiratórias  –  que duram mais de 10 segundos -, o sono passa a não ser restaurador e fica interrompido, fazendo com que o indivíduo apresente sonolência no dia seguinte. Entre os principais fatores que predispõem alguém a ter a apnéia estão o sexo, a obesidade e a constituição crânio-facial. Sua prevalência tanto no Brasil como no exterior é de mais de 6% da população de indivíduos adultos principalmente do sexo masculino. Ela é de quatro a cinco vezes mais comum nos homens, do que nas mulheres. Hoje, é considerada a principal causa de sonolência durante o dia, sendo também responsável por um número considerável de acidentes automotivos.

“Um dos caminhos para se chegar ao diagnóstico da apnéia é o ronco. O ronco sozinho é considerado um distúrbio menor, o maior problema associado é a apnéia. Todos que têm apnéia roncam, mas nem todos que roncam tem apnéia. Se alguém observar que a pessoa tem episódios de paradas respiratórias ou se ela própria queixar-se de sonolência, este pode ser um indicativo da apnéia. Nesses casos, é melhor procurar um especialista”, recomenda o Prof. Tomomi Harashima.

Fonte: Site: www.portaleducacao.com.br

~ por Cris Aragão em 20 de dezembro de 2009.

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