Significado e interpretação dos distúrbios do sono

Rio, 30 de janeiro de 2010.

Texto retirado do livro: Guia do Sono Saudável – dicas para adormecer, dormir e acordar melhor. (p. 56 – 69)

Autor: Rüdiger Dahlke

Ronco

Antigamente, o ronco era visto como um transtorno inofensivo, que parecia incomodar, sobretudo, o “vizinho de cama”. Mas hoje se sabe que ele envolve riscos. O excesso de peso e o abuso do álcool com certeza favorecem o ronco – talvez porque o excesso de peso obriga a pessoa a dormir de barriga para cima, e o álcool, entre outros efeitos, causa um relaxamento que á quase anestésico.

Do ponto de vista médico, a úvula palatina ou “campainha” é a principal responsável pelo ronco. É uma pequena massa carnosa semelhante a um pêndulo, fixada no palato. Sobretudo em pessoas obesas que dormem de barriga para cima e têm o mau costume de respirar pela boca, a úvula vibra, balança, estala e até parece assobiar durante a noite. Hoje em dia, sabemos que a causa principal do ronco é o afrouxamento dos músculos na região da faringe. Este afrouxamento causa recuo da língua e da maxila inferior, dificultando a respiração pelo nariz.

No contexto da interpretação psicossomática das doenças, existe uma diferença entre o ronco rítmico e o arrítmico. O último é uma variante muito mais perigosa do ponto de vista médico. Ele simboliza uma perda do ritmo vital e sugere um prognóstico ruim para a vida do paciente. Como no caso das apnéias durante o sono (ver abaixo), a pessoa afetada tem de lidar melhor com os ritmos vitais. Para isso, vários exercícios como a técnica da “respiração associada” e, sobretudo, uma integração na “mandala do caminho da vida” podem ser úteis. (Para outras indicações sobre isso, ver o livro Lebenskrisen als Entwicklungschancen, lançado no Brasil como: “As Crises da Vida como Oportunidades de Desenvolvimento”, publicado pela Editora Cultrix).

Do ponto de vista de muitas pessoas que roncam (principalmente os homens), o problema na verdade só existe para as “vizinhas de cama”, que têm seu sono perturbado pelo barulho do ronco. Então, elas se valem dos expedientes mais comuns, que vão desde tampões de ouvido até a mudança para outro quarto de dormir.

Muitas vezes – segundo a abordagem psicossomática explicada no livro A Doença como Símbolo –, o ronco muito forte é uma reação inconsciente que exprime o desejo de ter seu próprio quarto de dormir. O homem pode até negar este desejo com indignação, mas no final geralmente não há alternativa e ele recebe aquilo que desejava inconscientemente o tempo todo.

É claro que se pode eliminar a úvula com uma cirurgia, mas dessa maneira o problema subconsciente nunca é resolvido. A pessoa que rona tenta “marcar seus limites” com o barulho, afastando o(a) parceiro(a). Ela se recusa a dormir em harmonia com o “vizinho de cama”, pois torna impossível o ritmo conjugado de respiração. Isto costuma levar a uma separação concreta, com estágios intermediários como os tampões de ouvido e, finalmente, os quartos separados.

Apnéias durante o sono

O significado e interpretação das longas paradas respiratórias são evidentes. A pessoa afetada se expõe inconscientemente a um risco de morte – com um ruído tão forte que ninguém pode deixar de ouvir. Quando a respiração pára, a vida terrena se acaba e começa a viagem para o Além. Em geral, a pessoa afetada continua dormindo e não percebe esse “estágio” preparatório da morte. Mas os “vizinhos de cama” acordam com o barulho e ficam preocupados.

Os pacientes de apnéias participam menos intercâmbio com o mundo do que seria necessário para sua saúde, e isso afeta especialmente o mundo da noite. Eles rejeitam este mundo por um tempo perigosamente longo, e então são forçados a uma respiração longa e barulhenta. No último momento, eles evitam a asfixia e escapam mais uma vez das garras da morte. Em vez de se abrirem para a Noite e suas criaturas, preferem pôr as suas vidas em risco, movendo-se assim numa margem estreita. Se fossem um pouco mais longe, morreriam sufocados e entrariam de fato no mundo arquetipicamente feminino que é objeto de temor inconsciente.

Além disso, são pessoas que perderam contato com seu ritmo natural – como, aliás, todos os que roncam ou respiram de maneira irregular. Mas neste caso a falta de oxigenação é um perigo. Aqui, o outro irmão do Sono – Tánatos, o deus da Morte – se intromete de novo.

A remissão das apnéias durante o sono é a reconciliação consciente com a morte, para não ter de ensaiá-la o tempo todo no plano inconsciente. Como os outros temas encenados no “teatro” do corpo, segundo a abordagem psicossomática explicada no livro A Doença como Símbolo, o tema das apnéias tem de ser trazido para o plano consciente para encontrar solução adequada.

Falar durante o sono

As pessoas que falam durante o sono estão mostrando conteúdos que causam algum tipo de pressão psicológica. Durante o dia, por algum motivo os conteúdos na são expressos em voz alta. A maior preocupação das pessoas afetadas por este sintoma é revelar circunstâncias ou coisas que não deveriam ser ditas na cama de casal. Neste caso, a interpretação é clara: uma parte da personalidade não suporta manter segredo e tenta se manifestar por esse caminho. Assim, o sono e talvez também os sonhos em voz alta trazem uma sinceridade para o jogo da vida que a própria pessoa afetada não tem coragem de assumir.

A terapia indicada é simples – a pessoa precisa de uma atitude voluntariamente mais sincera durante o dia, para que a mente seja poupada desses “segredos” e possa se ocupar à noite com temas mais importantes. Manter a consciência e o controle durante o sono, com medo das consequências, só leva a uma perturbação dos nervos e do descanso noturno, e a longo prazo acaba gerando distúrbios do sono, como mostram as “vigílias” (ofícios divinos recitados somente à noite) dos antigos cristãos.

Acordar aos gritos

Esse transtorno é assustador para a pessoa que dorme e é, claro, também para o “vizinho de cama”. A interpretação é simples, pois o medo indica medo ou terror. Aparentemente, as pessoas afetadas experimentam coisas terríveis na viagem inconsciente pelo mundo ods sonhos, e isso as deixa assustadas. A necessidade de examinar o que há por trás do segredo terrível não pode ser ignorada neste caso. Uma possibilidade de tratamento é a técnica dos sonhos (diurnos) conscientes, explicada no livro Reisen nach Inmen (lançado em português como: “Meditação Orientada”, pela Editora Cultrix).

Ranger os dentes

Ranger os dentes é outro distúrbio do sono de interpretação fácil, pois o componente agressivo é evidente. As armas do “andar de cima” (maxila superior) lutam à noite com as do “andar de baixo” (maxila inferior), e uma atrapalha a outra. A “terapia de urgência” dos dentistas consiste num aparelho que separa os dois “inimigos” com uma barreira de plástico. Mas, assim como as zonas desmilitarizadas não são uma solução a longo prazo entre dois países em guerra, este tratamento não resolve o problema a longo prazo

É melhor “arreganhar os dentes” no sentido figurado e lutar por seus objetivos durante o dia, em vez de passar as noites rangendo os dentes no plano físico.

Cerrar os dentes

O hábito muito parecido de unir ou apertar os dentes durante o sono mostra uma problemática agressiva, mas aqui o cerrar dos dentes simboliza um recalcamento da agressão. A pessoa afetada não tem coragem de “morder” às claras e prefere se reprimir ou “teimar” num movimento de trituração que exige muito esforço. Quem cerra os dentes a noite toda está fazendo um esforço para se conter. O transtorno tem relação com todos os temas sombrios e criaturas da Noite. Não admira que as pessoas afetadas acordem de manhã, depois de uma noite tão cheia de luta, com uma sensação de mal-estar e cansaço, e não de alívio ou vigor físico.

É mais sensato usar essas energias desperdiçadas na boca para projetos construtivos e úteis na vida da pessoa afetada. Mais informações sobre agressões reprimidas e conselhos sobre como lidar com elas podem ser encontrados em meu livro Agression als Chance (A Agressão como Oportunidade, publicado pela Editora Cultrix). Se a pessoa afetada começa a integrar as energias agressivas, se elaborar os assuntos que tenta afastar durante o sono com reações convulsivas encontrando um lugar em sua vida para os temas subjacentes, depois de algum tempo seus dentes terão sossego merecido durante a noite. É mais produtivo mostrar as garras durante o dia, enfrentar as dificuldades e arreganhar os dentes quando necessário.

Ereções dolorosas

A interpretação de um sintoma óbvio com as ereções dolorosas durante o sono aponta uma direção parecida. A maioria dos homens afetados experimenta este problema nas primeiras horas da manhã, geralmente sem muita dor. Eles mostram assim necessidades que não foram satisfeitas durante o dia. Se for verdade que os homens pensam em sexo em média duzentas vezes por dia, não é difícil imaginar o desejo insatisfeito por trás do sintoma.

As ereções dolorosas mostram uma grande pressão reprimida e a necessidade ou até urgência de resgatar a tensão fundamental. É claro que é melhor procurar uma superação do problema no contexto social, e não na cama nas primeiras horas da manhã.

Contrações musculares

Contrações no adormecimento ou durante o sono são descargas musculares que, como os outros distúrbios do sono, mostram impulsos que não foram vivenciados ou expressos durante o dia. As tensões têm de ser resolvidas no período descontraído da noite. O caráter intermitente do transtorno sugere impulsos espontâneos que de repente sofrem um bloqueio.

Movimentos rítmicos

Movimentos rítmicos à noite (que os especialistas chama de “transtorno rítmico do movimento durante o sono”, problema que costuma afetar mais os meninos do que as meninas entre alguns meses e quatro anos de idade) são uma tentativa de recuperar o ritmo vital. Crianças abandonadas os hospitalizadas mostram com movimentos rítmicos seu sofrimento interior e o risco da perda do ritmo vital. Numa situação de desamparo, elas tentam criar seu próprio ritmo, mesmo quando batem a cabeça na parede ou nas grades do berço.

Sintomas semelhantes indicam a necessidade de cuidar melhor do seu próprio ritmo, entender o problema e, se necessário, procurar este ritmo e integrá-lo de novo na vida. Balançar o berço, embalar a criança ou dançar com ela são soluções naturais. Com relação ao sono, a melhor solução é a “cama que balança” no mesmo ritmo da pessoa que dorme, apresentada na página 110.

Sonambulismo

O sonambulismo (também chamado “noctambulismo”) não é um transtorno raro. Segundo a Sociedade Alemã de Medicina e Pesquisas do Sono, até 6% dos adultos e 15% das crianças se levantam da cama e às vezes andam e falam dormindo. Outros pesquisadores acham que uma a cada dez pessoas sofre ocasionalmente do problema, sobretudo na infância. As causas ainda não foram esclarecidas pela medicina, a não ser nos idosos, nos quais o fenômeno é mais raro e geralmente tem relação com o uso de hipnóticos. Pesquisas com crianças gêmeas dão a entender que existe um componente genético.

O sonambulismo acontece exclusivamente nos períodos de sono não-paradoxal. Não é, portanto, uma encenação de conteúdos oníricos (pois os sonhos só são possíveis nos períodos de sono REM, ou paradoxal). Geralmente, o transtorno sugere estados de angústia.

Do ponto de vista simbólico, as pessoas afetadas tentam fugir na escuridão da noite. Elas não percebem que o que estão fazendo e muitas vezes ninguém em casa se dá conta do “passeio”. Em geral, depois de algum tempo o sonâmbulo parece “mudar de idéia” e volta para a cama. Não existe percepção consciente durante o processo, e o “caminhante entre dois mundos” não se lembra de nada na manhã seguinte. Acordar o sonâmbulo é difícil e desnecessário. Geralmente, seu comportamento é calmo e dócil, e ele volta para a cama sem resistência.

É costume exagerar os riscos do sonambulismo. Mas não é verdade que os sonâmbulos conseguem se proteger de maneira inconsciente, como imaginam muitas pessoas. Pode haver quedas e acidentes, embora sejam raros.

A remissão do problema é elaborar o desejo de transitar entre os dois mundos e tentar realizar este desejo no plano consciente.

Despertar prematuro

Acordar muito cedo pela manhã pode ter uma explicação simples: a pessoa já dormiu o suficiente e não precisa de mais regeneração. Então, o melhor é “acordar com as galinhas” e aceitar o fato de que o corpo e a mente “funcionam” melhor de manhã. Na tipologia do sono humano, existem “corujas” e “galinhas”. Os dois tipos têm vantagens e desvantagens.

O despertar prematuro é uma boa oportunidade de se adaptar à vida dos madrugadores. Isso não é um problema, pois existem vários indícios de que eles aproveitam melhor a vida – ou pelo menos sua parte mais saudável.

Quando o despertar prematuro não traz sensação de vigor, mas sonolência persistente e até irresistível, a remissão do problema é lidar com a aurora, o período antes do nascer do sol, momento de ruptura e recomeço. Uma pessoa que acorda neste período do dia, no qual – segundo a concepção oriental – a energia vital prana flui com mais força, deve ter perdido aqui alguma coisa. É preciso descobrir que coisa é esta. Também nestes casos, o melhor é continuar deitado na cama, em estado de descontração física, ouvindo a voz interior. De modo geral, todo sintoma esconde um segredo valioso do plano inconsciente que vale a pena resgatar.

Acordar com sono

A sensação de sonolência e cansaço pela manhã pode ser decorrência de uma regeneração insuficiente durante a noite – por exemplo, depois de tomar comprimidos para dormir – ou um excesso de temas elaborados durante o sono. Depois de um dia difícil, cheio de problemas quase insolúveis ou de experiências frustrantes, a noite seguinte pode ser conturbada, especialmente quando ela não é iniciada por um “ritual de adormecimento”.

Aqui, é aconselhável criar estratégias para lidar melhor com os problemas durante o dia – inclusive aqueles que se acumularam por muito tempo. Psicoterapias em estado de transe, como a “terapia integrada psicossomática”, atuam conscientemente no mesmo plano dos sonhos e podem aliviar as noites e os dias. Também é uma boa idéia aproveitar as chances de regeneração oferecidas pelo sono e colocar a noite, que está exigindo atenção de maneira negativa, no centro de nossos interesses de vida.

As pessoas que acordam com dor de cabeça ou um “zumbido na cabeça” sofrem provavelmente – a não ser nos casos de consumo excessivo de álcool ou outras drogas – de uma “dívida de sono” acumulada há muito tempo. As medidas indicadas neste caso podem ser encontradas na página 99 e seguintes.

O envelhecimento do sono

Em idade avançada, o padrão do sono costuma mudar. A duração do sono noturno pode cair de sete até oito horas para seis, e depois para cinco horas. Em compensação, muitas pessoas idosas cochilam durante o dia. Estes cochilos podem acontecer em momentos e situações impróprios, enquanto à noite os idosos passam horas na cama sem conseguir dormir, olhando para o teto. Neste caso, os médicos falam em “envelhecimento do sono” (em inglês, “the graying of sleep”, isto é, “o sonho quando fica grisalho”).

De acordo com o princípio de procurar um sentido por trás de todos os sintomas, a necessidade reduzida de sono em pessoas idosas é um convite para se ocupar mais com a noite e menos com o dia. As mudanças no relógio biológico têm sentido, pois forçam uma adaptação às novas circunstâncias. Elas levam à conclusão de que a segunda metade da vida tem a missão de lidar com a Noite e seus temas.

No “caminho de ida” até a meia-idade, nós lidamos, sobretudo, com o lado luminoso da vida. No “caminho de volta”, a partir da meia-idade, somos forçados a entrar num acordo com os aspectos sombrios. Tudo o que ficou pendente ou em aberto tem de ser elaborado agora. Nas antigas tradições religiosas, a velhice foi e continua sendo a idade do despertar espiritual. Quanto mais ocorrer o despertar, melhores serão os resultados.

 Amor e Luz,

Carol

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~ por crisraju em 30 de janeiro de 2010.

4 Respostas to “Significado e interpretação dos distúrbios do sono”

  1. eu dormindo já chutei minha ex namorada já segurei o pescoço dela com força e ñ sei o que é …

  2. Falo palavras estranhas e talvez de outra lingua durante á noite…meu namorado gravou durante uma noite foi das 4:00pm até 12:00am falei frases estranhas e agora estou assustada, pois posso estar me transformando em mutante ou pensou que até teria sido abduzida por et’s e estava pedindo ajuda na noite!, Peço que me AJUDEM, desde já agradeço e aguardo sua resposta!

    • Uau!!!
      Que honra…a gente vive num planetinha mixuruca,num sistema mixuruca na aba de uma galáxia que faz parte de um muuundo…e tenho a sorte de contactar uma mutante!
      Opções: encosto…prosaico demais…uma boa casa kardecista…
      trastorno afetivo brabo(psiquiatras ajudam)
      ligação direta com mundos sutis,extradimensionais( se tornou obsoleto falar em ets)
      mutação,que espero,leve você a níveis de maturidade que otimizem sua vida
      Se não for nada disso,errar é humano…
      talvez seja caso de um bom neurologista e leituras.
      Ah! ia esquecendo…um bom Pai-Nosso ma hora de dormir faz bem.
      Seja feliz…respondi com certo atraso…mas com carinho…é que passei meses abduzida…
      Paz e Luz
      Cris

  3. No meu caso o meu sonambulismo é paradoxal, eu enceno o onirico e estou consciente disso até que volto lentamente a realidade…. estranho…

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